28 fevereiro 2025

#OSCARS2025: Esta é a minha lista preferencial dos Melhores Filmes

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Estou certo de que nem dez anos precisarão se passar para que as pessoas se lembrem da temporada de premiações de 2025 como um momento muito específico e emblemático da cultura do cinema mundial. Diferente da temporada do ano anterior, o Oscar deste ano não tem vencedores claros em boa parte das categorias, o que torna tudo muito mais interessante!

Nesse clima gostoso de pré-cerimônia, decidi trazer, nesta postagem, como seria a minha lista preferencial para os dez indicados à categoria de Melhor Filme. A propósito, é importante ressaltar que eu tentei aplicar o máximo de objetividade na configuração dessa lista, mas o fato é que estamos lidando com algo muito subjetivo. Encorajo que todos assistam esses filmes e tirem suas próprias conclusões. 


O Método Preferêncial:

Antes de começar minha escolha, talvez seja melhor explicar o que é exatamente o tal "método preferencial" que a Academia usa para definir seus vencedores.

Sabemos que, hoje em dia, o número de associados à Academia do Oscar é superior a 10 mil membros. Para a categoria de Melhor Filme, cada um desses membros envia suas listas classificando os filmes de acordo com sua preferência. Se um filme for o preferido de mais de 50% dos membros, ele leva o prêmio. Contudo, nem sempre essa escolha acontece de imediato.

Se nenhum filme alcançar 50% dos votos, o menos votado é eliminado, e os votos que ele recebeu são realocados para o segundo filme mais popular. Isso se repete até que se tenha um vencedor.

A minha lista preferencial:
Detalhe: Esta lista está em ordem decrescente, onde #10 é o pior e #1 é o melhor.



#10. Emilia Pérez:


Tudo a respeito de Emilia Pérez é absurdamente ruimm mas ainda mais absurdo é o fato que o longa ficou a uma categoria de igualar o recorde de indicações de Titanic e A Malvada. Dentre treze indicações, o filme francês aparece nas principais categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Zoe Saldaña), Melhor Atriz (Karla Sofía Gascón) e até mesmo Melhor Filme Internacional.

Seja pela representação ofensiva da cultura mexicana, ou pela visão problemática da experiência trans, o filme tem momentos que talvez funcionariam como videoclipes. São várias sucessões de ideias ruins que se alinham à visão pseudo-progressista eurocêntrica—e é exatamente por isso que, principalmente entre a crítica, Emilia Pérez é tão bem sucedido. A partir da posição #9 são anos-luz melhores que Emilia Pérez.

Não citarei as falas problemáticas da atriz principal, do diretor ou da Netflix—todos já estamos cientes delas. Mas faço uma menção honrosa à resposta dos mexicanos com o musical Johanne Sacrebleu.




#9. Duna: Parte 2

Duna: Parte 2 destaca-se nesta lista por um motivo um tanto negativo: eu sou indiferente a este filme—ou para a franquia em qualquer mídia que ela exista. Amor e ódio geram paixão, mas indiferença gera nada. Não me entenda mal—essa fala é meramente uma questão de gosto pessoal. Estou completamente ciente de que este longa tem sua própria legião de fãs que, certamente, o colocariam em uma posição muito mais honrosa em suas listas.



#8. Anora


Anora é estrelado por Mikey Madison, que vem sendo tratada como uma revelação. Além do mais, Madison é considerada aquela que potencialmente pode desbancar Demi Moore no páreo de Melhor Atriz. Contudo, o filme o qual ela estrela é caótico. São quase duas horas de um frenesi tão grande que torna a experiência massante. Mas há um ponto de luz no meio do caos: Yura Borisov, indicado a Melhor Ator Coadjuvante. Não considero que o problema de Anora esteja necessariamente no elenco, mas nas escolhas da direção de Sean Baker.



#7. A Complete Unknown — Um Completo Desconhecido:


2024 foi um ano e tanto para Timothée Chalamet. Há quem diga que o conceito de estrela de cinema está morto, mas eu discordo, e Timothée é a prova de que Hollywood ainda tem astros, sim! Na cinebiografia do grande compositor (e notável cantor) Bob Dylan, o diretor James Mangold explora a ascensão do artista à fama. Mangold já teve outro grande sucesso recente inspirado em fatos: Ford vs. Ferrari (2019), mas seu currículo é predominantemente voltado a filmes de ação.

Há outra grande biopic na carreira de James—Walk The Line (2005) conta a historia de Johnny Cash. Se você conhece os fatos, sabe que Cash e Dylan foram bons amigos. Certamente, A Complete Unknown representa um círculo fechado na carreira do cineasta.

Um Completo Desconhecido tem visivelmente um trabalho de pesquisa muito profundo sobre Bob Dylan e não decepciona na representação do cantor, nem na caracterização do jovem protagonista.



#6. Nickel Boys


Não é hipérbole dizer que Nickel Boys é o destaque desta temporada pela singularidade. A fotografia é totalmente diferente de tudo que já vimos. Ramell Ross escolhe, literalmente, mostrar esse filme pela perspectiva dos protagonistas. Você quase não vê o rosto de Elwood (Ethan Herisse), a não ser quando ele mesmo se vê em um reflexo. Então, no segundo ato, a perspectiva passa a ser a visão de Turner (Brandon Wilson. Através da experiência desses dois garotos, temos um recorte da dinâmica racial nos Estados Unidos na década de 60.

Não vou aprofundar em mais spoilers para que você vá atrás. O filme logo estará disponível no Amazon Prime Video. Enquanto isso, será uma boa ideia ler o livro homonimo que inspirou o filme, escrito por Colson Whitehead.


#5. The Brutalist — O Brutalista:


Comecei minha crítica no Letterboxd citando que a minha percepção que marketings radicais escondem fraquezas de cineastas medianos. O Brutalista tem uma campanha que destaca o retorno a um modo de fazer cinema como nos tempos de ouro. Encarei a escolha do VistaVision como uma vaidade do diretor (algo como o Nolan tem com IMAX). Ainda bem que o Brady Cobert calou a minha boca!

"O Brutalista" se destaca pela fotografia impecável. É dificil acreditar que o Brady Cobert teve um orçamento de somente US$ 10 milhões.

A produção conta com o uso de Inteligência Artificial (aliás, Emília Pérez também usou IA). Esse fato pesa para que eu não o classifique em uma posição mais alta na lista. Ainda que os trechos com uso de IA não cheguem a 10 minutos, temo que essa seria a abertura que a ala capitalista de Hollywood precisa para iniciar o uso inescrupuloso da tecnologia.

No final das contas, ainda podemos apreciar uma boa história pela sua qualidade.



#4. Wicked


Sei que os meus amigos que estão lendo esta postagem devem estar completamente chocados que Wicked não tenha ficado em uma posição maior, mas eu tentei aplicar o máximo possível de objetividade nas minhas escolhas. O fato é que Jon M. Chu teve escolhas muito duvidosas com a iluminação, fotografia e pós-produção, ainda que a adaptação da história, em aspectos gerais, tenha sido impecável. Uma boa história é uma boa história, mesmo com uma parte técnica com algumas falhas. A atuação da Cynthia Erivo é sublime e a Ariana Grande está impecável.


#3. The Substance — A Substância:


A minha caracteristica favorita da era contemporânea do cinema é que as narrativas femininas tomam cada vez mais espaço. A Substância é de fato a redenção da Demi Moore. Além do mais, a indicação desse filme representa o inicio de uma mudança na mentalidade da Acadêmia, que talvez passe a reconhecer o terror para além das categorias de maquiagem e caracterização.


#2. Conclave:


No inicio do ano, eu não fazia ideia que o filme sobre a eleição de um novo Papa se tornaria o meu favorito, mas Conclave é completamente envolvente. Para falar a verdade, meu lado racional aposta na vitória deste longa para Best Picture este ano—um prêmio merecido!


#1. Ainda Estou Aqui — I'm Still Here


Se meu lado racional aposta em Conclave, o emocional não tem medo algum de apostar tudo em Ainda Estou Aqui, mesmo sabendo que a chance de perder é quase absoluta.

O filme de Walter Salles é sublime e a atuação da Fernanda Torres é a mais complexa entre todos os concorrentes. Se o filme sair sem pelo menos Filme Internacional será um crime, mas ainda acredito nas chances que a Fernanda ganhe Best Actress.





Agora eu adoraria ler a opinião de vocês. Então não deixem de comentar! Quero saber as visões que temos em comum, e as que não temos também. Que venha o Oscar!

PS: Me siga no Letterboxd para mais reviews de filmes.

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