07 março 2025

ALBUM REVIEW: Mayhem — o tão aguardado "comeback" de quem nunca foi embora

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Às vésperas do histórico show que será realizado nas areias da praia de Copacabana, Lady Gaga lançou neste 7 de março, seu sétimo álbum de estúdio (oitavo, se contarmos Harley Quinn), Mayhem. O projeto segue uma sequência rápida de baixos e altos: desde o fracasso que foi Joker 2: Folie À Deux nos cinemas; o sucesso estrondoso de Die With A Smile—em parceria com Bruno Mars; a estreia do lead single da nova era, Disease, com recepção morna; até Abracadabra, que teve seu clipe lançado no comercial do Grammys desse ano. Agora, Mayhem vem aí prometendo uma era pop como há muito tempo os fãs ansiavam.


Eu devo começar minha crítica sendo justo à carreira da Mother Monster. "Comeback" se tornou um termo que perdeu bastante sentido nos últimos anos dentro da cultura pop. Entendo que essa palavra deve ser usada para marcar um projeto de alguém que, por qualquer motivo, passou algum tempo longo dos holofotes e então decide retornar com um trabalho inédito. Essa realidade não poderia estar mais longe da Lady Gaga, que com uma carreira mainstream prestes a completar vinte anos, já se consolidou como a única verdadeira grande estrela contemporânea.

Dito isso, vou admitir que Mayhem parece de fato um retorno às raízes daquilo que a colocou em evidência em 2008. Diversas faixas desse álbum parecem beber bastante na fonte do The Fame ou The Fame Monter. Algo que Chromatica prometeu durante seu lançamento—ainda que tenha uma identidade própria mais marcante.

Mayhem abre com o lead-single do álbum, Disease. Já mencionei que ele teve uma recepção morna, sequer entrou no top 10 em boa parte das paradas ao redor do mundo. Na verdade, é uma música que eu pulo. Mas admito que escolher essa música como single fez total sentido, pois funciona como um respiro dois smash hits: Die With a Smile e Abracadabra.


Falando em Abracadabra, o segundo single também é a segunda faixa do álbum. A composição da canção é assinada pela própria Gaga e ainda incorpora um trecho da melodia de Spellbound, da banda Siouxsie And The Banshees. A canção parece uma ode à Bad Romance, com seu refrão viciante.


Garden of Eden é a terceira faixa e foi produzida pelo DJ francês Gesaffelstein. É um pop eletrônico com total potencial para se tornar um cult classic entre os fãs e um hit pelas baladas ao redor do globo.

Perfect Celebrity é uma mensagem clara ao público sobre como a cantora se sente em relação às pressões do que envolve ser uma artista sob olhos públicos. Não é a primeira vez que Gaga compõe a respeito do assunto, mas é a primeira vez que os arranjos e os vocais evocam uma atmosfera obscura e pesada.

A quinta canção, Vanish Into You, foi co-escrita com Michael Polansky, noivo de Lady Gaga. É uma faixa que tem influência dos anos oitenta. É a música mais bem escrita do álbum e expressa muito bem a paixão que o casal certamente sente. Uma das minhas favoritas!

Seguimos para o primeiro feat na tracklist. Killah é uma parceira com o DJ Gesaffelstein, que também assina a composição e a produção de outras faixas de Mayhem. É outro pop eletrônico com letra um tanto genérica feito para dançar. A ponte instrumental antes da última repetição do refrão é sinceramente um dos pontos altos do álbum. Simplesmente eletrizante!

Zombieboy mudou minha vida... Jamais poderei escutar essa música sem querer imediatamente querer pisar numa pista de dança e viver minha fantasia Diva da Disco. Ao mesmo tempo que tem essa influência Disco, com uma pitadinha de rock e synth-pop, o refrão parece girlie pop. Não sei exatamente como definir ou explicar essa música. Mesmo assim, é a minha faixa favorita do álbum. Espero que ganhe clipe e que seja usada num lipsync for your life em RuPaul's Drag Race em breve.

LoveDrug também foi coassinada por Michael Polansky (as próximas duas também são, aliás). Também trata sobre o amor, sob a perspectiva de alguém que escolhe reprimir o sentimento e "dançar até se sentir bem".

Talvez How Bad Do U Want Me precisará de algum tempinho até que eu possivelmente mude de ideia a respeito dela, mas eu provavelmente teria descartado do álbum. É uma balada eletrônica cuja letra parece ter vindo de outro álbum genérico da Taylor Swift.

Don't Call Tonight também tem forte sonoridade anos 80, marcada pelos sintetizadores. A guitarra no refrão dá um brilho especial ao arranjo.

Shadow of a Man é energética e me faz sentir vontade de desfilar. O refrão é simplesmete pop perfection. Além do mais, a letra que expressa o sexismo que as mulheres enfrentam na industra.

The Beast é outra faixa com um tom mais obscuro que resgata o tema "monstro". Mas só que dessa vez a tal besta é um pouco mais tangível, sendo literalmente um amante lobisomem. Conceito, né, mores?

Blade of Grass é a última composição de Michael Polansky para o disco. Você pode perceber quais faixas tem colaboração dele, pois todas têm o amor como tema central. Essa é a grande balada do álbum. Os vocais estão impecáveis e os arranjos contribuem para uma canção épica.

Por fim, Die With a Smile encerra o disco. Não há outra explicação para que ela esteja aqui, se não o fato que foi o smash hit da década, mas a faixa se encaixa bem dentro desse álbum. Pessoalmente, eu teria substituido "How Bad Do U Want Me" por esse dueto e deixaria "Blade of Grass" ser efetivamente o grand-finale.



Avaliação geral:

Não há dúvidas de que Mayhem representa Lady Gaga em sua forma mais pura—disruptiva, dançante e artisticamente ousada.  Não é um retorno ao pop, mas lembra ao mundo que, quando se trata de cultura pop, Gaga é quem dita as regras. Se Chromatica foi um momento de introspecção em meio à pista de dança e ARTPOP uma ousadia incompreendida, Mayhem é um lembrete de que Gaga nunca precisou de validação para redefinir as regras da cultura pop.

Com faixas que transitam entre o amor, a dança e até o místico, o disco prova que, apesar dos altos e baixos de sua trajetória, ela continua sendo a única grande estrela contemporânea capaz de unir experimentalismo e apelo mainstream sem perder sua identidade. É uma apresentação impactante a uma nova geração de Little Monsters.

Para Mayhem, 4 estrelas.


⭐⭐⭐⭐


 

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