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19 dezembro 2025
2025 UNWRAPPED: Meus favoritos do ano na Cultura Pop
05 junho 2025
CURIOSIDADES: A História Esquecida da Numeração de CDs no Brasil
Nós, que somos colecionadores, certamente já reparamos que toda mídia física fabricada no Brasil dos anos 2000 para cá — especialmente CDs e DVDs — costuma vir com um código impresso, algo como "AA000500". Mas o que pouca gente sabe é que, para esse sistema de numeração existir, foi preciso que artistas como Beth Carvalho e organizações do setor travassem uma batalha por mais transparência na indústria fonográfica nacional. Essa é uma história complicada, cheia de partes discordantes, mas que eu te conto a seguir.
O que significa o código?
Afinal, o que significa o tal código de numeração fonográfica. Ele é composto por duas letras seguidas de um número de seis dígitos. As letras representam a tiragem (AA para primeira tiragem, AB para a segunda, e assim sucessivamente até ZZ — totalizando 676 combinações possíveis). Os números indicam quantas cópias foram fabricadas naquela tiragem específica. Digamos que você tem um CD com o código "AA 010000", por exemplo. Isso significa que ele é uma das 10 mil cópias fabricadas na primeira tiragem
| Foto autoral. CD (Demi Lovato - Revamped) é um exemplar entre mil cópias da primeira tiragem. O DVD (Here We Go Again - Demi Lovato) é uma entre quinhentas cópias da oitava tiragem. |
A desconfiança com as gravadoras e o início do movimento
As práticas obscuras de contabilização adotadas pelas gravadoras já causavam desconfiança entre artistas desde pelo menos os anos 1960. A ideia da numeração foi sugerida como uma forma de proteger os próprios criadores, especialmente em relação aos direitos autorais. Mas esse movimento só começou a ganhar tração real nos anos 1990, com figuras como Beth Carvalho, Lobão, Dona Ivone Lara e inúmeros outros na linha de frente.
Esse time de artistas defendia não só a adoção da numeração individual como também a assinatura individual de cada exemplar de disco fabricado. Outros artistas que aderiram inicialmente à ideia foram Gilberto Gil, Rita Lee e Caetano Veloso, embora todos tenham, mais tarde, retirado o apoio ao perceberem os entraves práticos da proposta—sobretudo a ideia de ter que assinar cada cópia produzida.
A proposta e a resistência das gravadoras e fabricantes
Em paralelo ao movimento dos artistas, a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) —atual Pró-Música Brasil — também entrou na discussão. Embora tenha se declarado "a favor de medidas viáveis para combater a pirataria" (segundo seu então presidente Luiz Oscar Niemeyer, que também presidia a Sony BMG), a ABPD agiu nos bastidores para minar o projeto.
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| Luiz Oscar Niemeyer. Empresário e ex-presidente da ABPD. |
A ABPD, através das gravadoras associadas, encorajou artistas de peso — como Xuxa, Sandy & Júnior, Marisa Monte, Roberto Carlos, Marina Lima, Hebe, etc. — a assinarem um abaixo-assinado contra a proposta de numeração individualizada. A justificativa era simples: como pedir para alguém como Xuxa assinar manualmente os quase 4 milhões de cópias vendidas do "Xou da Xuxa 3", ou “Será que o Roberto Carlos vai querer assinar as 2 milhões de cópias que ele vendeu com Acústico MTV?”
Já o argumento das empresas que fabricam os CDs, tinha a ver com os desafios técnicos. João Carlos Müller, consultor jurídico da ABPD, questionou em 2002: “Como numerar produtos que são fabricados sequencialmente, em 20 máquinas simultâneas?”
Críticas à desorganização
Em entrevista à Folha Ilustrada (5 de julho de 2002), Ivan Lins expressou frustração com o cenário artístico, o qual considerava desorganizado. Ele ainda acrescentou que numerar ou não as cópias seria a mesma coisa que nada. Mesmo assim, ele relembrou práticas abusivas dentro das gravadoras:
"Nos anos 70, praticavam transferência de números para artistas que precisavam de disco de ouro para impulsionar vendagem. Tinha de se dizer na imprensa que Perla vendeu 300 mil discos, então tiravam das vendagens de Ivan Lins e João Bosco. Na RCA, hoje BMG, tive discos que venderam 50 mil cópias e na fatura caíram para 10 mil."
A insatisfação de artistas dos mais diversos ramos do entretenimento em relação ao faturamento dos direitos de suas obras não é uma pauta nova. Destaco o caso da cantora Diana, falecida em agosto de 2024 e com um repertório que, até hoje, é extremamente popular — sobretudo nas periferias. A respeito das reprensagens e novas edições de seus álbuns, a cantora destacou, em entrevista ao programa Cultura Livre, os pagamentos indevidos e as pressões comerciais absurdas que sofreu da CBS (atual Sony), nos anos 70.
O projeto de lei e o veto presidencial
Toda essa mobilização culminou no Projeto de Lei 4540/2001, de autoria da deputada Tânia Soares, do PC do B do Alagoas. O PL previa a obrigatoriedade da numeração sequencial de cópias de livros e fonogramas vendidos no país foi aprovado na Câmara dos Deputados, mas o então presidente Fernando Henrique Cardoso vetou a proposta. Em sua justificativa, ele citou tanto as ponderações de Beth Carvalho, Lobão, quanto os argumentos contrários de Gil, Rita, Caetano e da ABPD, que pedia uma regulamentação mais realista.
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| Deputada Tânia Soares (PC do B-SE). Atuou de 1999 a 2003. |
Afim de elucidar a melhor maneira de resolver o embate entre artistas e gravadoras, Fernando Henrique montou um grupo com representantes do Sindicato dos Músicos, da União Brasileira de Escritores, de entidades ligadas ao cinema e à edição de livros para estudar a melhor forma de regulamentação da numeração fonográfica.
A regulamentação definitiva
Tais estudos feitos pelo grupo citado anteriormente, deram origem ao Decreto nº 4.533/2002, que regulamentou a Lei dos Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998). Esse decreto estabeleceu a obrigatoriedade da codificação por lote em cada CD fabricado no Brasil, que também deviam contar com o ISRC (International Standard Recording Code) para identificar cada faixa e propriamente creditar intérpretes e compositores. O Brasil se tornou, com isso, o único país do mundo a adotar esse tipo de controle na indústria fonográfica.
Mesmo assim, não há uma regra legal sobre quando iniciar uma nova tiragem — ou seja, o momento de passar de AA para AB, AC e assim por diante. Essa decisão é feita pelas próprias gravadoras, geralmente com base em fatores de mercado, marketing ou logística de produção.
A importância da numeração hoje
Mesmo com a popularização do streaming, a mídia física ainda desempenha papel importante para nichos específicos: colecionadores, fanbases dedicadas e artistas com público mais maduro. O código fonográfico continua obrigatório em todas as edições físicas, funcionando como uma ferramenta de transparência na contagem do desempenho de cada álbum comercializado.
Certificações e métricas atuais no Brasil
No Brasil, os certificados (Ouro, Platina, Diamante) são regulados pela Pró-Música Brasil. Os critérios, que foram estabelecidos em 2017, combinam vendas físicas, downloads e streamings. A fórmula atual é:
- 1 unidade vendida (CD, vinil, download digital) = 1 unidade para certificação
- 10 downloads pagos de uma faixa = 1 unidade
- 5.000 streams (audio ou vídeo) = 1 unidade
- As faixas de certificação são:
- Ouro: 40 mil unidades
- Platina: 80 mil unidades
- Diamante: 300 mil unidades
E nos EUA?
Nos Estados Unidos, quem regula certificações é a RIAA (Recording Industry Association of America). Lá, uma venda física de álbum também conta como 1 unidade, mas os streamings têm impacto diferente: são necessários 1.500 streams (áudio ou vídeo) para gerar uma unidade de álbum. Não há controle por lote como no Brasil, e o sistema se baseia nos relatórios enviados pelas gravadoras e distribuidoras.
Uma das melhores coisas de ser brasileiro é poder afirmar, com orgulho, que o nosso país tem soluções únicas — algumas delas dignas de exemplo para o mundo. O código de numeração fonográfica é uma dessas ideias. Não são poucos os artistas internacionais que gostariam de ter esse nível de transparência em seus próprios países. Os desafios mudam com o tempo, é verdade. Mas histórias como essa mostram que só através da mobilização coletiva conseguimos transformar o sistema.
31 maio 2025
ALBUM REVIEW: Something Beautiful—A forma musical mais caótica de Miley Cyrus
Poucas carreiras na música pop tiveram arcos tão inusitados quanto a de Miley Cyrus. Ex-estrela do agora extinto canal Disney, ela passou por fases que vão do pop chiclete ao country e ao hip-hop, sem nunca esquecer o rock. Seja qual for o estilo ou a fase, nunca foi exagero considerar Cyrus uma baita camaleoa da música contemporânea. Com Something Beautiful, lançado ontem, 30/05, a cantora apresenta um novo álbum visual ansiosamente aguardado por milhões de fãs atentos.
Trata-se de seu nono trabalho de estúdio, o primeiro desde Endless Summer Vacation (2023), projeto que lhe rendeu aclamação crítica, o primeiro Grammy da carreira e o maior sucesso comercial com o single Flowers. Segundo a própria cantora, Something Beautiful é influenciado pelo rock progressivo, em especial The Wall, do Pink Floyd — embora essa conexão se manifeste, na prática, em apenas um terço do álbum.
O disco é acompanhado de um filme com estreia prevista para 6 de junho no Festival de Tribeca, dirigido por Brendan Walter, Jacob Bixenman e a própria Miley e lançado em associação com a CBS/Sony Music, Live Nation e XYZ Films. Parte das músicas já têm videos publicados no YouTube.
Miley coassina todas as faixas, tanto na produção quanto na composição, ao lado de nomes como BJ Burton (conhecido por trabalhos com Charli XCX e Lizzo), Shawn Everett (Alabama Shakes, Kacey Musgraves), Michael Pollack (Justin Bieber, Selena Gomez, Jonas Brothers, Katy Perry) e mais um time de outros 12 colaboradores. O resultado é uma sonoridade robusta, onde guitarras distorcidas, sintetizadores retrô e beats orgânicos convivem em um caos conceitual e controlado.
A abertura, com um prelúdio vibrante e caótico, sugere que o álbum seguirá uma linha mais crua e roqueira. A sequência com a faixa-título, Something Beautiful, confirma: começa como um R&B e surpreende com um refrão barulhento, com vocais rasgados. Embora não seja minha faixa favorita, ela estabelece o clima de instabilidade emocional que perpassa todo o trabalho.
End of the World, coescrita com Michael Pollack (também coautor de Flowers), é um pop tradicional — algo que eu, pessoalmente, chamaria de feelgood bop. Não é de se espantar que a faixa esteja dominando as rádios atualmente.
O ponto de virada acontece a partir de Easy Lover, posicionada entre dois interlúdios que funcionam como divisores de ato. A segunda metade do álbum mergulha em uma sonoridade mais sintética, referenciando o pop oitentista e, sobretudo, o disco queer — em especial artistas como Sylvester, Pet Shop Boys, The Weather Girls e Madonna. A guinada estilística não apenas é coesa dentro do universo do disco, como também representa um dos momentos mais criativos da carreira recente da cantora.
O destaque absoluto dessa fase é Walk of Fame, que conta com a participação de Brittany Howard (Alabama Shakes). O contraste entre os timbres das duas artistas é explorado com maestria: Howard, geralmente associada a vocais graves e potentes, surpreende com agudos poderosos logo de cara. A música sintetiza bem o tom entre vulnerabilidade e grandiosidade que percorre o disco.
Já Pretend You’re God, uma das faixas mais sutis em termos de arranjo, remete a Justify My Love, da Madonna, em sua atmosfera minimalista e confessional. Trata-se da composição mais vulnerável, intimista e pessoal entre as treze faixas. Em contrapartida, Give Me Love, que encerra o trabalho, adota um tom mais idílico. Após doze faixas intensas — seja pela raiva, seja pela euforia —, ela oferece um final sereno, quase litúrgico, como o sol finalmente derretendo as nuvens carregadas de uma tempestade.
Something Beautiful não é, como alguns esperavam, um disco experimental no sentido mais radical do termo (e nada em sua discografia recente supera o caos criativo de Dead Petz nesse quesito). O que ele oferece é um retrato sensível de uma artista em processo de amadurecimento: alguém que já experimentou quase todas as formas de ser pop, e agora tenta costurar essas fases em algo coeso, mas ainda pulsante.
É um bom disco — corajoso, por vezes instável, mas sempre honesto. E se futuramente eu decidir revisitá-lo, é provável que volte direto à segunda metade, pois é a partir dela que Miley brilha como o homem gay em corpo de mulher que ela é.
Para Something Beautiful, um sólido 3,5/5
🟊🟊🟊⯪✫
Assim como qualquer pessoa da minha geração, eu vivi a mágica que foi aquela geração do Disney Channel que ocorreu entre 2007-2012, então naturalmente eu estava lá para viver a era Hannah Montana, então Can't Be Tamed Bangerz, Dead Petz, Younger Now, e agora, Something Beautiful. É uma sensação maravilhosa ver uma artista que nunca desaponta em entregar novos trabalhos e manter todo mundo ansioso para ver que tipo de coisa ela vai entregar agora. Seguiremos ansiosos pelo álbum visual que logo mais estreia!
04 abril 2025
COISAS NATURAIS: O pop naturalmente brasileiro de Marina Sena
Não dá para dizer que o Brasil vive uma redescoberta da música pop. O gênero sempre esteve presente na cultura brasileira, mesmo em meio às suas constantes mudanças ou reciclagens. Ainda assim, Marina Sena é uma das vozes de uma nova geração de artistas com trabalhos sempre interessantíssimos. Em seu terceiro álbum, Coisas Naturais, a artista prova que MPB é pop!
Lançado após Vício Inerente (2023) e De Primeira (2021), o novo disco fecha a trilogia inaugural da cantora. Com treze faixas, Coisas Naturais tem produção assinada por Marina, Gabriel Duarte e Janluska. O repertório amplia referências já estabelecidas nos álbuns anteriores — há uma presença constante da água, do mar (afinal, não há outra pessoa no Brasil que queira mais entrar no mar do que ela), e da sensualidade como linguagem estética. Colaborações com artistas como Gaia e Nenny adicionam um toque latino, que aproxima o trabalho de uma cena pop mais ampla, com potencial de exportação.
A faixa-título, que abre o álbum, funciona como uma espécie de manifesto sonoro. Os elementos que evocam a capoeira na introdução rapidamente evoluem para uma sonoridade mais envolvente, sensual e dançante — marca registrada da artista.
“Numa Ilha”, primeiro single do álbum, mantém o padrão do que se espera de Marina Sena: um pop ensolarado, com forte identidade visual e melódica. Já faixas como “TOKITÔ” (parceria com Gaia e Nenny), “SENSEI”, “Combo da Sorte” e “Carnaval” são visivelmente a cota comercial para aquilo que tem potencial em mercados internacionais, sobretudo na América Latina.
Entre as surpresas do álbum, destaca-se “Desmistificar”, uma das faixas mais enérgicas do conjunto. Combinando percussão frenética e elementos eletrônicos, a canção ganha potência no arranjo, especialmente nos segundos finais, quando atinge seu clímax instrumental. Outra faixa que merece atenção é “Anjo”, que se apoia nos vocais cheios de falsete e arranjo etéreo.
A influência de Gal Costa — declaradamente uma das maiores referências de Marina — é perceptível em faixas como “Mágico”, que remete ao espírito de A Pele do Futuro (2018), penúltimo álbum de estúdio da cantora baiana, sobretudo no arranjo. Inclusive, a capa do disco traz uma imagem de Gal como um easter egg, reforçando a homenagem.
Encerrando o álbum, a balada “Ouro de Tolo” trata de superação e autorreconhecimento após o fim de um relacionamento. O trecho falado que aparece na parte final confere à faixa um tom confessional raro no pop atual — e remete à tradição de artistas que usam a canção como palco para o monólogo dramático.
Na música brasileira contemporânea, poucos nomes conseguiram consolidar uma identidade sonora tão distinta em tão pouco tempo quanto Marina Sena. Seus três álbuns funcionam quase como três partes de uma obra. O futuro trará o desafio do quarto álbum — um ponto de virada que costuma assombrar carreiras promissoras. Mas, por ora, Coisas Naturais confirma que é possível fazer pop no Brasil sem recorrer aos mesmos clichês comerciais do mercado.
Nota: 3/5 ⭐
⭐⭐⭐
07 março 2025
ALBUM REVIEW: Mayhem — o tão aguardado "comeback" de quem nunca foi embora
Às vésperas do histórico show que será realizado nas areias da praia de Copacabana, Lady Gaga lançou neste 7 de março, seu sétimo álbum de estúdio (oitavo, se contarmos Harley Quinn), Mayhem. O projeto segue uma sequência rápida de baixos e altos: desde o fracasso que foi Joker 2: Folie À Deux nos cinemas; o sucesso estrondoso de Die With A Smile—em parceria com Bruno Mars; a estreia do lead single da nova era, Disease, com recepção morna; até Abracadabra, que teve seu clipe lançado no comercial do Grammys desse ano. Agora, Mayhem vem aí prometendo uma era pop como há muito tempo os fãs ansiavam.
Eu devo começar minha crítica sendo justo à carreira da Mother Monster. "Comeback" se tornou um termo que perdeu bastante sentido nos últimos anos dentro da cultura pop. Entendo que essa palavra deve ser usada para marcar um projeto de alguém que, por qualquer motivo, passou algum tempo longo dos holofotes e então decide retornar com um trabalho inédito. Essa realidade não poderia estar mais longe da Lady Gaga, que com uma carreira mainstream prestes a completar vinte anos, já se consolidou como a única verdadeira grande estrela contemporânea.
Dito isso, vou admitir que Mayhem parece de fato um retorno às raízes daquilo que a colocou em evidência em 2008. Diversas faixas desse álbum parecem beber bastante na fonte do The Fame ou The Fame Monter. Algo que Chromatica prometeu durante seu lançamento—ainda que tenha uma identidade própria mais marcante.
Mayhem abre com o lead-single do álbum, Disease. Já mencionei que ele teve uma recepção morna, sequer entrou no top 10 em boa parte das paradas ao redor do mundo. Na verdade, é uma música que eu pulo. Mas admito que escolher essa música como single fez total sentido, pois funciona como um respiro dois smash hits: Die With a Smile e Abracadabra.
Avaliação geral:
Não há dúvidas de que Mayhem representa Lady Gaga em sua forma mais pura—disruptiva, dançante e artisticamente ousada. Não é um retorno ao pop, mas lembra ao mundo que, quando se trata de cultura pop, Gaga é quem dita as regras. Se Chromatica foi um momento de introspecção em meio à pista de dança e ARTPOP uma ousadia incompreendida, Mayhem é um lembrete de que Gaga nunca precisou de validação para redefinir as regras da cultura pop.
Com faixas que transitam entre o amor, a dança e até o místico, o disco prova que, apesar dos altos e baixos de sua trajetória, ela continua sendo a única grande estrela contemporânea capaz de unir experimentalismo e apelo mainstream sem perder sua identidade. É uma apresentação impactante a uma nova geração de Little Monsters.
Para Mayhem, 4 estrelas.
⭐⭐⭐⭐
28 fevereiro 2025
#OSCARS2025: Esta é a minha lista preferencial dos Melhores Filmes
Estou certo de que nem dez anos precisarão se passar para que as pessoas se lembrem da temporada de premiações de 2025 como um momento muito específico e emblemático da cultura do cinema mundial. Diferente da temporada do ano anterior, o Oscar deste ano não tem vencedores claros em boa parte das categorias, o que torna tudo muito mais interessante!
Nesse clima gostoso de pré-cerimônia, decidi trazer, nesta postagem, como seria a minha lista preferencial para os dez indicados à categoria de Melhor Filme. A propósito, é importante ressaltar que eu tentei aplicar o máximo de objetividade na configuração dessa lista, mas o fato é que estamos lidando com algo muito subjetivo. Encorajo que todos assistam esses filmes e tirem suas próprias conclusões.
O Método Preferêncial:
Antes de começar minha escolha, talvez seja melhor explicar o que é exatamente o tal "método preferencial" que a Academia usa para definir seus vencedores.
Sabemos que, hoje em dia, o número de associados à Academia do Oscar é superior a 10 mil membros. Para a categoria de Melhor Filme, cada um desses membros envia suas listas classificando os filmes de acordo com sua preferência. Se um filme for o preferido de mais de 50% dos membros, ele leva o prêmio. Contudo, nem sempre essa escolha acontece de imediato.
A minha lista preferencial:
#10. Emilia Pérez:
Tudo a respeito de Emilia Pérez é absurdamente ruimm mas ainda mais absurdo é o fato que o longa ficou a uma categoria de igualar o recorde de indicações de Titanic e A Malvada. Dentre treze indicações, o filme francês aparece nas principais categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Zoe Saldaña), Melhor Atriz (Karla Sofía Gascón) e até mesmo Melhor Filme Internacional.
Seja pela representação ofensiva da cultura mexicana, ou pela visão problemática da experiência trans, o filme tem momentos que talvez funcionariam como videoclipes. São várias sucessões de ideias ruins que se alinham à visão pseudo-progressista eurocêntrica—e é exatamente por isso que, principalmente entre a crítica, Emilia Pérez é tão bem sucedido. A partir da posição #9 são anos-luz melhores que Emilia Pérez.
Não citarei as falas problemáticas da atriz principal, do diretor ou da Netflix—todos já estamos cientes delas. Mas faço uma menção honrosa à resposta dos mexicanos com o musical Johanne Sacrebleu.
#9. Duna: Parte 2
Duna: Parte 2 destaca-se nesta lista por um motivo um tanto negativo: eu sou indiferente a este filme—ou para a franquia em qualquer mídia que ela exista. Amor e ódio geram paixão, mas indiferença gera nada. Não me entenda mal—essa fala é meramente uma questão de gosto pessoal. Estou completamente ciente de que este longa tem sua própria legião de fãs que, certamente, o colocariam em uma posição muito mais honrosa em suas listas.
#8. Anora
Anora é estrelado por Mikey Madison, que vem sendo tratada como uma revelação. Além do mais, Madison é considerada aquela que potencialmente pode desbancar Demi Moore no páreo de Melhor Atriz. Contudo, o filme o qual ela estrela é caótico. São quase duas horas de um frenesi tão grande que torna a experiência massante. Mas há um ponto de luz no meio do caos: Yura Borisov, indicado a Melhor Ator Coadjuvante. Não considero que o problema de Anora esteja necessariamente no elenco, mas nas escolhas da direção de Sean Baker.
#7. A Complete Unknown — Um Completo Desconhecido:
2024 foi um ano e tanto para Timothée Chalamet. Há quem diga que o conceito de estrela de cinema está morto, mas eu discordo, e Timothée é a prova de que Hollywood ainda tem astros, sim! Na cinebiografia do grande compositor (e notável cantor) Bob Dylan, o diretor James Mangold explora a ascensão do artista à fama. Mangold já teve outro grande sucesso recente inspirado em fatos: Ford vs. Ferrari (2019), mas seu currículo é predominantemente voltado a filmes de ação.
Há outra grande biopic na carreira de James—Walk The Line (2005) conta a historia de Johnny Cash. Se você conhece os fatos, sabe que Cash e Dylan foram bons amigos. Certamente, A Complete Unknown representa um círculo fechado na carreira do cineasta.
Um Completo Desconhecido tem visivelmente um trabalho de pesquisa muito profundo sobre Bob Dylan e não decepciona na representação do cantor, nem na caracterização do jovem protagonista.
#6. Nickel Boys
Não é hipérbole dizer que Nickel Boys é o destaque desta temporada pela singularidade. A fotografia é totalmente diferente de tudo que já vimos. Ramell Ross escolhe, literalmente, mostrar esse filme pela perspectiva dos protagonistas. Você quase não vê o rosto de Elwood (Ethan Herisse), a não ser quando ele mesmo se vê em um reflexo. Então, no segundo ato, a perspectiva passa a ser a visão de Turner (Brandon Wilson. Através da experiência desses dois garotos, temos um recorte da dinâmica racial nos Estados Unidos na década de 60.
Não vou aprofundar em mais spoilers para que você vá atrás. O filme logo estará disponível no Amazon Prime Video. Enquanto isso, será uma boa ideia ler o livro homonimo que inspirou o filme, escrito por Colson Whitehead.
#5. The Brutalist — O Brutalista:
Comecei minha crítica no Letterboxd citando que a minha percepção que marketings radicais escondem fraquezas de cineastas medianos. O Brutalista tem uma campanha que destaca o retorno a um modo de fazer cinema como nos tempos de ouro. Encarei a escolha do VistaVision como uma vaidade do diretor (algo como o Nolan tem com IMAX). Ainda bem que o Brady Cobert calou a minha boca!
"O Brutalista" se destaca pela fotografia impecável. É dificil acreditar que o Brady Cobert teve um orçamento de somente US$ 10 milhões.
A produção conta com o uso de Inteligência Artificial (aliás, Emília Pérez também usou IA). Esse fato pesa para que eu não o classifique em uma posição mais alta na lista. Ainda que os trechos com uso de IA não cheguem a 10 minutos, temo que essa seria a abertura que a ala capitalista de Hollywood precisa para iniciar o uso inescrupuloso da tecnologia.
No final das contas, ainda podemos apreciar uma boa história pela sua qualidade.
#4. Wicked
Sei que os meus amigos que estão lendo esta postagem devem estar completamente chocados que Wicked não tenha ficado em uma posição maior, mas eu tentei aplicar o máximo possível de objetividade nas minhas escolhas. O fato é que Jon M. Chu teve escolhas muito duvidosas com a iluminação, fotografia e pós-produção, ainda que a adaptação da história, em aspectos gerais, tenha sido impecável. Uma boa história é uma boa história, mesmo com uma parte técnica com algumas falhas. A atuação da Cynthia Erivo é sublime e a Ariana Grande está impecável.
#3. The Substance — A Substância:
#2. Conclave:
No inicio do ano, eu não fazia ideia que o filme sobre a eleição de um novo Papa se tornaria o meu favorito, mas Conclave é completamente envolvente. Para falar a verdade, meu lado racional aposta na vitória deste longa para Best Picture este ano—um prêmio merecido!
Se meu lado racional aposta em Conclave, o emocional não tem medo algum de apostar tudo em Ainda Estou Aqui, mesmo sabendo que a chance de perder é quase absoluta.
































