19 dezembro 2025

2025 UNWRAPPED: Meus favoritos do ano na Cultura Pop

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2025 chega entra para a história como o ano em que o Brasil virou o país do cinema ao ganhar seu primeiro Oscar e segundo Globo de Ouro (com perspectiva de mais prêmios muito em breve); Mas também marcado pelos meses de espera por Wicked: For Good e até pelo trágico downgrade de ter que viver um outono 'Showgirl' depois de ter um verão 'brat' em 2024. Foram vários momentos que marcaram a cultura pop nesses 365 dias e todos os meus destaques favoritos estão listados nesta restrospectiva de 2025 no cinema e na música.


Ainda mais espaço para as mulheres no Pop:


Abro a retrsopectiva com quem deu um gás novo e excitante à música pop. Addison Rae lançou o primeiro single da carreira — Diet Pepsi — ainda em agosto de 2024. Sem exageros, a música que eu mais ouvi esse ano.

O album de estreia da artista, "Addison", é um primor muito bem concebido sonora e visualmente. "Times Like These", "Aquamarine" e "Fame Is A Gun" são outros hinos que também entraram em muitas playlists neste ano. Em 2026, ficar de olho nos próximos passos de Addison Rae não é uma sugestão, é um dever!


No dia primeiro de agosto, Demi Lovato debutou uma nova era e retornou à música pop com "Fast". Semanas depois, a ex-act lançou "Here All Night", onde nos entregou, ao mesmo tempo, o melhor clipe do ano e a música mais injustiçada. O terceiro single (e mais recente), "Kiss" segue pelo mesmo caminho do pop "bate-estaca."

Em Outubro, o tão aguardado álbum "It's Not That Deep" estreou. Embora o conceito prometido seja uma Demi menos séria e mais leve, este é, sim, um trabalho profundo. Faixas como "Sorry to Myself" e "Ghost" não apenas se tornaram fan favorites, mas demonstram toda a habilidade de Lovato enquanto compositora.

Cabe à Demi, infelizmente, o título de maior esnobada de 2025. Rumores apontam uma possível troca da Island Records pela Republic Records após seguidos episódios de descaso por parte da gravadora, certamente estarei acompanhando de perto, esperando que ela tenha seu momento 'Diet Pepsi' em 2026.


Outra cantora que também retornou em 2025 foi Lady Gaga. "Mayhem" seguiu um flop colossal—Joker: Folie À Deux. Naturalmente, esperou-se que o novo álbum fosse bem recebido na fan base, mas sem muito impacto com o público em geral. Feliz engano!

O sexto álbum de estúdio da cantora e atriz foi aclamado pela crítica e chegou ao primeiro lugar na Billboard Hot 200 nos Estados Unidos, Reino Unido e diversos outros mercados. Além do mais, o Gagacabana revolucionou o que se entende por mega-estruturas em apresentações ao vivo. Entretanto, ao analisar este projeto após meses de lançamento, a grande faixa deste álbum não é um single. "Vanish Into You" é a melhor música que Gaga lançou em 2025.


Chappell Roan, ainda que não tenha lançado o sucessor do "The Rise and Fall of a Midwest Princess", ganhou o título de melhor balada do ano. "The Subway", lançada ainda em julho, narra um amor ainda não superado e a sensação e ver e sentir a ex em todos os lugares. É uma música linda, com uma ponte icônica que viralizou no TikTok — "Chica the wave é o meu meme favorito, aliás."


No Brasil, por outro lado, o cenário da música foi frio. Nenhum lançamento nacional entrou para valer no meu radar. Ainda assim, é inegável que Marina Sena carregou sozinha o pop brasileiro. "Coisas Naturais", lançado ainda em abril, é a pura manifestação da brasilidade tropical que é altamente sensual sem o menor esforço. Há uma review publicada aqui no blog, disponível no arquivo.



Antes de revelar a minha grande revelação na música de 2025, devo fazer algumas menções honrosas:

Eternal Sunshine:  Brighter Days Ahead — Ariana Grande: Que grande ano para a Ariana! Ainda que este álbum seja de 2024, ele ganhou uma versão estendida e um curta-metragem, que sem dúvidas foi a melhor produção audiovisual. Todos os VMAs que ela conquistou este ano foram mais do que merecidos;

Greetings From Your HometownJonas Brothers: Falando em artistas dos quais eu sou fã há mutos anos... Em 2025, os Jonas lançaram alguns bops com sucesso morderado, mas "Love Me To Heaven" é o maior destes hinos.

Here For It AllMariah Carey: O primeiro álbum após décadas traz uma Mariah mais madura e instintos ainda mais afiados. Ao longo dos 40 minutos de álbum, Carey vai do pop urbano à presença do Espírito Santo num coral de igreja.

Midnight Sun Zara Larson: Outra grande representante do pop feminino que teve um grande ano. Ainda que ela tenha sido promovida do status de one hit wonder, talvez a carreira dela siga pelo mesmo caminho que Carly Ray Jepsen. Mas, hey! Ela irritou certas fanbases de cantoras consolidadas há mais tempo, então ela está fazendo algo certo.

NGL — JoJo: Jamais existiu—ou existirá—alguém tão subestimada no pop quanto JoJo. A cantora de 'Too Little Too Late' lançou um EP intitulado "NGL." Minha faixa favorita deste trabalho é "One Last Time"

Debí Tirar Más Fotos — Bad Bunny: Ainda que eu seja um espectador casual da carreira do cantor porto-riquenho, é fato que o trabalho que ele lançou este ano está cheio de hits.


Eu tive uma surpresa muito boa com a qualidade do trabalho de Lola Young. "This Wasn't Meant For You Anyways" foi lançado ainda em janeiro. Não é o debut da artista inglesa, mas sim o sophomore que a projetou de vez para um público mainstream.

"Messy" é indiscutívelmente o grande hit desse projeto, mas não é a melhor música. Na realidade, são 11 faixas que revelam alguém altamente sensível, talentosa e com a loucura que é particular dos artistas mais brilhantes. Algumas publicações especializadas e os próprios fãs tentaram vender a RAYE como sucessora do legado de Amy Winehouse. Estão errados! Lola Young é mil vezes mais intensa — e segue um caminho próprio.



2025 nas telas de cinema:

O ano termina com saldo positivo para o cinema, onde boas surpresas não faltaram. A começar por um filme que me fez apreciar um blockbuster de super-herói pela primeira vez desde os Batmen de Schumacher: Superman, dirigido por James Gunn, inaugura uma nova era para o personagem da DC.

Após uma década bem definida pela presença de Henry Cavill, David Corenswet não fica à sombra de nenhum dos atores que deram vida a Clark Kent antes dele. Muito pelo contrário: seu Superman se impõe como um dos mais carismáticos da história do personagem.

Há ainda outro ponto particularmente interessante em Superman (2025). Em um cenário global dividido em torno do conflito Israel–Palestina, Gunn representa esta guerra de maneira acertada nas entrelinhas do longa. Por oferecer um respiro de vida nova a uma franquia que já passou por todo tipo de reboot, remake e reimaginação — e por me fazer vencer um preconceito pessoal —, elejo Superman como a grande boa surpresa do cinema em 2025.


Falando em personagens que já foram ressuscitados inúmeras vezes e de incontáveis formas, Frankenstein era um projeto que Guillermo del Toro lutava para concretizar há muito tempo. A Netflix investiu no filme e o lançou na plataforma em novembro, após um circuito cinematográfico extremamente limitado. Tenho duas ressalvas em relação a esta produção:

A primeira diz respeito justamente às exibições em salas de cinema. Em muitos lugares — incluindo minha cidade — o filme foi exibido uma única vez, numa quarta-feira, em uma sessão tarde da noite. Impraticável para a maioria das pessoas. Esse, no entanto, não é um problema novo para a gigante do streaming, e a discussão voltou a ganhar força recentemente com o anúncio da compra da Warner Bros. pela Netflix.

A segunda ressalva é menos grave, mas ainda assim incômoda: Mia Goth está simplesmente cafona no filme. Apesar disso, a obra de Mary Shelley foi reinterpretada com grande competência por del Toro, que entrega uma leitura própria de um clássico já exaustivamente revisitado.


Não é hipérbole dizer que o planeta só pensou em uma coisa ao longo de 2025: Wicked: For Good. A conclusão da história das Bruxas de Oz trouxe uma expansão do universo e a adição de duas músicas inéditas, além daquelas já conhecidas pelos fãs do musical da Broadway.

Infelizmente, Stephen Schwartz e Jon M. Chu optaram por incluir canções pensadas especificamente para Ariana Grande e Cynthia Erivo, em vez de desenvolver material verdadeiramente relevante para Glinda e Elphaba — ou mesmo para os Animais e cidadãos de Oz. “No Place Like Home” e “The Girl in the Bubble” são bônus de que Wicked teria sobrevivido perfeitamente se tivessem sido descartados ainda na fase de pré-produção.

Wicked: For Good, assim como Wicked (2024), sustenta-se muito mais pela força e pela complexidade do material original do que pelas decisões da direção. Ainda assim, é preciso reconhecer os acertos: “No Good Deed” ficou ainda mais impactante, os arranjos de “Wonderful” foram aprimorados, e “Couldn’t Be Happier” foi lindamente executado pela Ariana Grande.

O elenco da adaptação cinematográfica é outro de seus grandes trunfos. Jeff Goldblum entrega um Mágico extremamente carismático, enquanto Michelle Yeoh, mesmo não sendo cantora, compõe uma Madame Morrible de intensidade assustadoramente precisa. Sentirei falta de esperar por Wicked ao final de 2026 — mas quem sabe, até lá, eu finalmente consiga vê-lo no teatro.


O cinema hollywoodiano não foi páreo para o ano extraordinário das produções brasileiras. Já começamos 2025 com três vitórias emblemáticas: o Globo de Ouro de Melhor Atriz (Drama) para Fernanda Torres; o Oscar de Filme Internacional para Ainda Estou Aqui, de Walter Salles; e Vitória, de Andrucha Waddington, estrelado por Fernanda Montenegro, que entrou em cartaz nos cinemas ainda em março.

O melhor filme brasileiro do ano, entretanto, estrearia cinco meses depois. O Último Azul, de Gabriel Mascaro, conquistou o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim e debutou com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. O longa se passa em um futuro distópico não tão distante, no qual todos os idosos são enviados para uma colônia na Amazônia. Tereza (Denise Weinberg), uma mulher de 77 anos, é forçada a se aposentar — mas não pretende desistir de viver tão facilmente. Sua fuga a leva a uma jornada inesperada pela Floresta Amazônica.

Os trailers não são capazes de traduzir com precisão o quão fantástico e envolvente é "O Último Azul." Acredito que essa seja uma escolha consciente da produção: o espectador entra no filme com uma expectativa e logo percebe que a distopia funciona apenas como contexto, não como o elemento central da narrativa.


Um parêntese é necessário para reconhecer a força do cinema brasileiro produzido fora do eixo Rio–São Paulo, especialmente nas produções amazônicas. Manas, dirigido por Marianna Brennand Fortes e com a maravilhosa Dira Paes no elenco, também ganhou repercussão internacional e conquistou o prêmio de Melhor Direção no Festival de Veneza. Além do mais, ainda chegou a ameaçar O Agente Secreto na disputa pela vaga brasileira na corrida pelo Oscar.

Já que a conversa inevitavelmente chegou à maior aclamação crítica do ano, cabe aqui uma posição polêmica: "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, não fica entre os meus favoritos do ano. Ainda assim, seria impossível ignorar a relevância histórica e simbólica que o filme alcançou. Não ter gostado dele não me impede de torcer para que a produção leve o prêmio de Filme Internacional tanto no Oscar quanto no Globo de Ouro.

Nas categorias principais das premiações — especificamente Direção, Ator e Melhor Filme — minha torcida declarada vai para Uma Batalha Após a Outra. Dirigido por Paul Thomas Anderson, o longa traz Leonardo DiCaprio em mais uma performance irrepreensível.

Bob Ferguson (DiCaprio) foi um revolucionário, mas tudo muda quando ele se torna pai. Aos 16 anos da filha, Bob é um homem sedentário, paranoico e que nada lembra quem um dia foi. Seus problemas estão apenas começando quando um antigo inimigo — o Coronel Lockjaw (Sean Penn, em retorno triunfal e no auge do sex-appeal) — reaparece e sequestra a garota.

Uma Batalha Após a Outra foge do molde tradicional dos blockbusters de ação. O filme é genuinamente carismático e engraçado, mas realmente impressiona pelo trabalho de fotografia, coassinado por Anderson e Michael Bauman.


Duas comédias também merecem destaque nesta retrospectiva: "Os Roses: Até Que a Morte os Separe" e "Câncer com Ascendente em Virgem". O primeiro se sobressai por uma retomada bem-sucedida das romcoms adultas dos anos 2000; o segundo prova que temas delicados podem ser abordados em comédias e sem abrir mão da carga emocional.

Dirigido por Jay Roach, Os Roses resgata a estética e a dinâmica das comédias adultas da virada do milênio — algo que remete diretamente a títulos como "Comer, Rezar e Amar". A narrativa acompanha um 'casal perfeito' cujo relacionamento se desgasta com a passagem do tempo e com a parentalidade. As fraturas desta relação são retratadas com humor ácido e perspicaz. É uma fórmula que foi praticamente esquecida pelo cinema comercial, mas que foi perfeitamente executada aqui.

Já "Câncer com Ascendente em Virgem" é um dos filmes nacionais que merecia repercussão maior. Clara (Suzana Pires), é uma professora de matemática independente que recebe o diagnóstico de câncer de mama e precisa reaprender a se posicionar no mundo — tanto em relação ao próprio corpo quanto às dinâmicas familiares com a filha, a mãe (interpretada pela divina Marieta Severo) e com o ex-marido.

Sob direção de Rosane Svartman, conhecida por suas novelas na TV Globo, o filme encontra dificuldades pontuais em diálogos que tentam soar jovem e atual, mas acabam artificiais. Ainda assim, o conjunto final é verdadeiramente tocante.

Ainda não assisti todos os principais títulos que são fortes concorrentes na temporada de premiação de 2026, mesmo porque uma parte deles só chegará aos cinemas brasileiros no inicio do próximo ano. Mesmo assim, você pode acompanhar minhas notas e críticas a tudo o que eu vi no cinema no meu perfil do Letterboxd.


Brindamos ao ano que foi 2025 — com seus altos e baixos, longas esperas, retornos muito aguardados e algumas surpresas genuínas — e fazemos votos para que o Brasil siga ocupandoa vanguarda artística do cinema mundial. Que o cinema nacional continue ampliando seu espaço e sua relevância, e que a cultura pop siga entregando e mantendo as mulheres no topo.

P.S.: Que a Demi Lovato realmente troque de gravadora, deixe de ser boicotada e que volte ao auge em breve.

Feliz ano novo!!!


Não deixem de me contar nos comentários quais foram os seus favoritos na cultura pop de 2025.

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